Menina do sonho


20/02/2007


 

Você é importante (Desconhecido)

Um famoso palestrante começou um seminário numa sala com 200 pessoas, segurando uma nota de R$ 100,00.
 
Ele perguntou: ``Quem quer esta nota de R$ 100,00?``
 
Todos ergueram a mão.
 
Então, ele disse: ``Darei esta nota a um de vocês. Mas primeiro, deixem me fazer isto!``
 
Aí, ele amassou a nota.
 
E perguntou, outra vez: ``Quem ainda quer esta nota?``
 
As mãos continuaram erguidas.
 
``Bom - ele disse - e se eu fizer isto?``
 
E ele deixou a nota cair no chão e começou a pisá-la e a esfregá-la.
 
Depois, pegou a nota, agora imunda e amassada, e perguntou:
 
``E agora? Quem ainda quer esta nota?``
 
Todas as mãos continuaram erguidas.
 
O palestrante virou para a platéia e disse que tinha ensinado uma lição:
 
``Não importa o que eu faça com o dinheiro. Vocês ainda irão querer esta nota, porque ela não perde o valor. Essa situação também acontece com a gente. Muitas vezes, em nossas vidas, somos amassados, pisoteados, e ficamos nos sentindo sem importância. Mas, não importa... jamais perderemos nosso valor perante o universo. Sujos ou limpos, amassados ou inteiros, nada disso altera a importância que temos. O preço de nossas vidas não é pelo que fazemos ou que sabemos, mas pelo que somos!``

Escrito por Carol às 20h24
[ ] [ envie esta mensagem ]

 

Para viver um grande amor (Por Vinícius de Morais)

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.

Escrito por Carol às 19h33
[ ] [ envie esta mensagem ]

 

Calma (Por Franscico Cândido Xavier)

 

 

Se você está no ponto de estourar mentalmente, silencie alguns instantes para pensar.

Se o motivo é moléstia no próprio corpo, a intranqüilidade traz o pior.

Se a razão é enfermidade em pessoa querida, o seu desajuste é fator agravante.

Se você sofreu prejuízos materiais, a reclamação é bomba atrasada, lançando caso novo.

Se perdeu alguma afeição, a queixa tornará você uma pessoa menos simpática, junto a outros amigos.

Se deixou alguma oportunidade valiosa para trás, a inquietação é desperdício de tempo.

Se contrariedades apareceram, o ato de esbravejar afastará de você o concurso espontâneo.

Se você praticou um erro, o desespero é porta aberta a falta maiores.

Se você não atingiu o que desejava, a impaciência fará mais larga distância entre você e o objetivo a alcançar.

Seja qual for a dificuldade, conserve a calma, trabalhando, porque, em todo problema, a serenidade é teto da alma, pedindo serviço por solução.

Escrito por Carol às 19h29
[ ] [ envie esta mensagem ]

 

Viagem longa, destino incerto (Por Rubem Alves)

Esse é o mês em que sofro mais por causa de vocês, moços. Tenho dó. Ainda nem deixaram de ser adolescentes, e já são obrigados a comprar passagens para um destino desconhecido, passagens só de ida, as de volta são difíceis, raras, há uma longa lista de espera. Alguns me contestam: afirmam saber muito bem o lugar para onde estão indo. Assim são os adolescentes: sempre têm os bolsos cheios de certezas. Só muito tarde descobrem que certezas valem menos que um tostão.

Seria muito mais racional e menos doloroso que vocês fossem obrigados agora a escolher a mulher ou o marido. Hoje casamento é destino para o qual só se vende passagem de ida e volta. É muito fácil voltar ao ponto de partida e recomeçar: basta que os sentimentos e as idéias tenham mudado.

Mas a viagem para a qual vocês estão comprando passagens dura cinco anos, pelo menos. E se depois de chegar lá vocês não gostarem? Nada garante...Vocês nunca estiveram lá. E se quiserem voltar? Não é como no casamento. É complicado. Leva pelo menos outros cinco anos para chegar a um outro lugar, com esse bilhete que se chama vestibular e essa ferrovia que se chama universidade. E é duro voltar atrás, começar tudo de novo. Muitos não têm coragem para isso, e passam a vida inteira num lugar que odeiam, sonhando com um outro.

Em Minas, onde nasci, se diz que para se conhecer uma pessoa é preciso comer um saco de sal com ela. Os apaixonados desacreditam. Quem é acometido da febre da paixão desaprende a astúcia do pensamento, fica abobalhado, e passa a repetir as asneiras que os apaixonados têm repetido pelos séculos afora: "Ah! mãe, ele é diferente..." "Eu sei que o meu amor por ela é eterno. Sem ela eu morro..." E assim se casam, sem a paciência de comer um saco de sal. Se tivessem paciência descobririam a verdade de um outro ditado: "Por fora bela viola; por dentro pão bolorento..."

Coisa muito parecida acontece com a profissão: a gente se apaixona pela bela viola, e só tarde demais, no meio do saco de sal, se dá conta do pão bolorento.

O Pato Donald arranjou um emprego de porteiro, num edifício de ricos. Sentiu-se a pessoa mais importante do mundo e estufou o peito por causa do uniforme que lhe deram, cheio de botões brilhantes, fios dourados e dragonas...

Acontece assim também na escolha das profissões: cada uma delas tem seus uniformes multicoloridos, seus botões brilhantes, fios dourados e dragonas. Veja, por exemplo, o fascínio do uniforme do médico. Por razões que Freud explica qualquer mãe e qualquer pai desejam ter um filho médico. Lembram-se da "Sociedade dos Poetas Mortos"? O pai do jovem ator queria, por tudo nesse mundo, que o filho fosse médico. E ele não está sozinho. O médico é uma transformação poética do herói Clint Eastwood: o pistoleiro solitário, apenas com sua coragem e o seu revólver, entra no lugar da morte, para travar batalha com ela. Como São Jorge. O médico, em suas vestes sacerdotais verdes, apenas os olhos se mostrando atrás da máscara, a mão segurando a arma, o bisturi, o sangue escorrendo do corpo do inocente, em luta solitária contra a morte. Poderá haver imagem mais bela de um herói?

Todas as profissões têm seus uniformes, suas belas imagens, sua estética. Por isso nos apaixonamos e compramos o bilhete de ida... Mas a profissão não é isso. Por fora bela viola, por dentro pão bolorento...

Uma amiga me contou, feliz, que uma parente querida havia passado no vestibular de engenharia. "Que engenharia?", perguntei. "Civil", ela respondeu. "Por que esta escolha?" — insisti. "É que ela gosta muito de matemática". Pensei então na bela imagem do engenheiro — régua de cálculo, compasso e prumo nas mãos, em busca do ponto de apoio onde a alavanca levantaria o mundo! "Se ela tanto ama a matemática talvez tivesse feito melhor escolha estudando matemática".

Engenheiro, hoje, mexe pouco com matemática. Tudo já está definido em programas de computador. O dia a dia da maioria dos engenheiros é tomar conta de peão em canteiro de obra..."

Isso vale para todas as profissões. É preciso perguntar:” Como será o meu dia a dia, enquanto como o saco de sal que não se acaba nunca?"

Mas há outros destinos, outros trens. Não é verdade que o único caminho bom seja o caminho universitário. Acho que poucos jovens sequer consideram tal possibilidade. É que eles se comportam como bando de maritacas: aonde vai uma vão todas. Não podem suportar a idéia de ver o "bando" partindo, enquanto ele não embarca, e fica sozinho na plataforma da estação...

Deixo aqui, como possibilidade não pensada, este poema de Walt Whitman, o poeta da "Sociedade dos Poetas Mortos":

"Em nome de vocês...
Que ao homem comum ensinem
a glória da rotina e das tarefas
de cada dia e de todos os dias;
que exaltem em canções
o quanto a química e o exercício
da vida não são desprezíveis nunca,
e o trabalho braçal de um e de todos
— arar, capinar, cavar,
plantar e enramar a árvore,
as frutinhas, os legumes, as flores:
que em tudo isso possa o homem ver
que está fazendo alguma coisa de verdade,
e também toda mulher
usar a serra e o martelo
ao comprido ou de través,
cultivar vocações para a carpintaria,
a alvenaria, a pintura,
trabalhar de alfaiate, costureira,
ama, hoteleiro, carregador,
inventar coisas, coisas engenhosas,
ajudar a lavar, cozinhar, arrumar,
e não considerar desgraça alguma
dar uma mão a si próprio."

Desejo a vocês uma boa viagem. Lembrem-se do dito do João: "A coisa não está nem na partida e nem na chegada, mas na travessia..." Se, no meio da viagem, sentirem enjôo ou não gostarem dos cenários, puxem a alavanca de emergência e caiam fora.

Se, depois de chegar lá, ouvirem falar de um destino mais alegre, ponham a mochila nas costas, e procurem um outro destino. Carpe Diem!

Escrito por Carol às 19h19
[ ] [ envie esta mensagem ]

 

RAZÕES PELAS QUAIS OS GAROTOS GOSTAM DAS GAROTAS (Por desconhecido)

1. Porque cheiram bem, até quando não usam xampu
2. A maneira como suas cabeças encontram sempre o ponto correto em seu ombro;
3. A doçura que se vê quando dormem;
4. A facilidade com que cabem em seus braços;
5. A maneira como te beijam e de repente tudo esta bem no mundo
6. A maneira linda como comem;
7. A maneira como demoram horas para se vestir para no final fazer valer a pena;
8. Porque sempre estão "quentinhas" mesmo quando está 300 C abaixo de 0.
9. A maneira como sempre te vêem bem, sem se importar com a roupa com que você está
10. A maneira como sempre procuram palavras de carinho, quando os dois sabem que você pensa
que ela é a pessoa mais preciosa do mundo;
11. São lindas de se ver quando discutem;
12. A maneira como suas mãos sempre encontram as tuas;
13. A maneira como sorriem;
14. A maneira com que dizem: "não discutiremos mais" quando sabem que uma hora mais tarde...
15. A maneira como te beijam quando você diz: "Eu te amo";
16. Bom, na verdade, adora qualquer maneira que ela te beija;
17. A maneira como caem em seus braços quando choram;
18. A maneira que dizem alguma coisa boba;
19. A maneira como te pegam e esperam que sinta dor;
20. A maneira como se desculpam quando na realidade dói (e não admitimos);
21. A maneira como te beijam quando você faz alguma coisa Boa por elas;
22. A maneira como dizem que sentem falta;
23. A maneira como ela é extraordinária;
24. A maneira como a protege deste mundo para que não se chateie mais


RAZÕES PORQUE AS GAROTAS GOSTAM DOS GAROTOS

1. Porque eles sempre usam o seu perfume favorito (aquele que vem a ser o que você compra nos aniversários dele);
2. A forma como passam as mãos pelos seus cabelos;
3. Pela maneira como a olham e você quer morrer no mesmo instante;
4. Pela maneira como a abraçam;
5. Pela maneira como lhe dão um beijo e fazem com que suas lágrimas desapareçam;
6. ... e pela maneira como se orgulham quando podem fazer seu problema ir embora;
7. Pela maneira como seus olhos se iluminam com o resultado por ter ficado horas se arrumando;
8. Porque sempre sabem o que dizer para te fazer sonhar;
9. Porque eles algumas vezes pensam que sabem o que dizer para te fazer se sentir melhor, mas você pensa que foi a pior coisa que puderam fazer;
10. Pela maneira como te abraça quando está com frio;
11. Pela maneira como te olham quando está aborrecida com eles fazendo todo o aborrecimento se derreter;
12. Porque sempre sorriem quando vocês estão juntos;
13. Pela maneira como sempre te deixam ganhar em qualquer jogo que joguem juntos;
14. ... E quando depois reclamam de os haver deixado ganhar, fazem que não sabem do que estão falando...;
15. Pela maneira como sorriem;
16. Pela maneira como se sente quando te chamam para desculpar-se depois de um grande desentendimento;
17. Pela maneira como dizem "Te Amo";
18. Pela maneira como dizem "Te Amo" na frente dos amigos;
19. Pela maneira que te tocam e te abraçam tão gentilmente, como se tivessem com medo de machucar;
20. Pela maneira como te beijam;
21. Pela maneira como te abrem os braços quando estas chorando;
22. Pela maneira como nunca admitem que a chateiam;
23. Pela maneira como agem quando sentem que estão te perdendo;
24. Pela maneira como eles pensam ser seu protetor, quando você pensa que você é a protetora deles;
25. A maneira como dizem que sentem falta de você quando odeiam admitir;
26. Pela maneira como você sente falta deles quando eles não estão;
27. Pela maneira como eles recordam os momentos especiais, os aniversários, quando você pensa que eles esqueceram;
28. Pela maneira como se desculpam quando na verdade eles esqueceram;
29. Pela maneira como te consolam quando você tem um mau dia;
30. Pela maneira como não podem esperar para chegar em casa para contar como foi o seu dia;
31. A maneira como te escrevem cartas de amor, quando pensam que isso não é algo de homens;
32. Quando preferem estar contigo a estar com os amigos.

 

HAHAHAHA!!! Existe isso??

Escrito por Carol às 18h57
[ ] [ envie esta mensagem ]

 

Afinidade (Por Arthur da Távola)

Não é o mais brilhante, mas é o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
Não importa o tempo, a ausência,
os adiantamentos, a distância, as impossibilidades.
 
Quando há AFINIDADE,
qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa, o afeto,
no exato ponto de onde foi interrompido.
 
AFINIDADE é não haver tempo mediante a vida.
É a vitória do adivinhado sobre o real,
do subjetivo sobre o objetivo,
do permanente sobre o passageiro,
do básico sobre o superficial.
 
Ter AFINIDADE é muito raro, mas quando ela existe,
não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Ela existia antes do conhecimento, irradia durante
e permanece depois que as pessoas deixam de estar juntas.
 
AFINIDADE é ficar longe, pensando parecido
a respeito dos mesmos fatos que
impressionam, comovem, sensibilizam.
 
AFINIDADE é receber o que vem de dentro
com uma aceitação anterior ao entendimento.
 
AFINIDADE é sentir com...
Nem sentir contra, sem sentir para...
Sentir com e não ter necessidade de
explicação do que está sentindo.
É olhar e perceber.
 
AFINIDADE é um sentimento singular, discreto e independente.
Pode existir a quilômetros de distância,
mas é adivinhado na maneira de falar,
de escrever, de andar, de respirar...
 
AFINIDADE é retomar a relação no tempo em que parou.
Porque ele (tempo) e ela (separação) nunca existiram.
Foi apenas a oportunidade dada (tirada)
pelo tempo para que a maturação
pudesse ocorrer e que cada
pessoa pudesse ser cada vez mais.

Escrito por Carol às 18h48
[ ] [ envie esta mensagem ]

Senso comum e rotina (Por Martinho Carlos Rost)

Nosso viver diário, ou nosso cotidiano, é uma sucessão de atos que observamos - ou aos quais damos importância - por pura força de hábito. Temos hábitos alimentares, de higiene e de comportamento, que adquirimos ao repetir freqüentemente determinadas ações, como acordar, fazer as refeições e nos recolher sempre à mesma hora; ou como nos deslocar ao trabalho seguindo sempre pelo mesmo itinerário. Damos preferência a determinado canal de televisão, porque nos habituamos às suas novelas e noticiários. Alimentamos hábitos quando damos atenção sempre às mesmas coisas; quando pensamos sempre da mesma maneira; ou quando nos negamos, sistematicamente, a mudar. São os hábitos que fazem nossa rotina, ou lhe servem como estrutura. Nosso dia-a-dia, ou nossa rotina feita de hábitos, é a materialização de nosso conceito de viver. Em outras palavras, nosso dia-a-dia, ou a forma assumida por nossa rotina, é a representação de nosso pensamento, a respeito de nós mesmos e de nossa relação com o mundo.

Em nosso dia-a-dia, costumamos rejeitar ou nos esquivar de pessoas, coisas ou situações que não possamos dominar, ou sobre as quais não tenhamos controle: evitamos tudo o que nos tire da mesmice cotidiana, porque em nossa rotina todos os elementos devem ser conhecidos e constantes. Temos a tendência de proceder sempre da mesma maneira, fazendo com que nossos dias sejam uns videoteipes dos outros. Nossos hábitos, por suas características de reprodução, tendem a manter o estado atual das coisas; por isso, quase sempre, nos conduzem à indiferença e à inércia. A rotina é nosso mundo: o território demarcado por nossos conceitos, padrões e modelos. Acomodar-se ao dia-a-dia raso de nossas vidinhas, equivale a recolher-se à prisão, sob o pretexto da segurança. As convicções que nos servem de cárcere, se por um lado protegem nossos interesses imediatistas e mundanos, por outro eliminam de nossas vidas a curiosidade pelo desconhecido, a satisfação da surpresa e o prazer da descoberta.

O que fazemos ou deixamos de fazer, nosso comportamento diante das circunstâncias, é a exteriorização de nossa filosofia de vida. Nossa filosofia é nossa sabedoria: é nosso conhecimento acumulado (pena que muito pelas vias da razão, e muito pouco pelas da intuição); mais: nossa filosofia é a síntese de nossa experiência, ou história pessoal; mais ainda: é a prática de nossas definições ou teorias sobre o certo e o errado. Nossa rotina diária é a prática de nossa filosofia: se nossa filosofia é boa, nossa rotina (se continuar existindo) nos conduz à felicidade e à saúde; se nossa filosofia é ruim, nossa rotina é marcada pela dor, pela angústia, pela ansiedade, pelo medo, pela desesperança e pela depressão. Sabemos da qualidade da árvore por seus frutos: se a árvore é boa, seus frutos serão bons; quando não presta, costuma-se cortá-la e lançá-la ao fogo.

Mas o que são, afinal, o certo e o errado? De onde vem nossas noções de bem e de mal? Sabemos que aquilo que é certo para nós, pode não o ser para os outros. O que acreditamos ser o bem e a verdade, para os outros pode significar exatamente o contrário: a negação de tudo isso, ou sua antítese. Nossa razão confunde-se com opostos igualmente aceitáveis, encastelando-se em certezas dogmáticas, teimosia e preconceitos. Uns, por exemplo, afirmam a reencarnação; outros, por sua vez, a negam. Uns e outros podem argumentar de forma igualmente válida, convincente e satisfatória; nossa razão, porém, não aceita paradoxos e toma um partido. O partido que tomamos passa a ser nossa convicção, ou a opinião que formamos sobre o assunto - e é ao redor dela que erguemos nossos muros. E da mesma forma como nós o fazemos, assim o fazem os outros. O patético é que todos insistem em manter-se dentro de seus próprios domínios, mesmo sabendo que fora deles - fora de todos os domínios - a vida continue a fluir, em sua perfeita naturalidade e espontaneidade. Nossas tentativas de conciliação, quase sempre, não passam de exercícios de retórica ou falatório inútil: a questão não é dizer que cada um TEM um pedacinho da verdade, mas que cada um É um pedacinho dessa verdade. Despertar espiritualmente, é desviar o foco de nossa atenção, daquilo que PENSAMOS SER, para aquilo que de fato SOMOS: unos, em espírito.

Para conviver com a diversidade que criamos - e que não passa de uma discussão fútil sobre o sexo dos anjos -, ou para que consigamos nos aturar uns aos outros, criamos o que é chamado de senso comum: um "juiz" que nem sempre toma suas decisões baseado no bom senso. Sabe-se que o senso comum raramente sintetiza a opinião da maioria. Criamos estruturas, denominadas de aparelhos de reprodução da sociedade (como a escola, a igreja e o Estado) - mecanismos que, com o tempo, adquirem vida própria, além de uma formidável capacidade de persuasão e repressão. Os aparelhos ideológicos nos persuadem a pensar de uma determinada forma; se não o fazemos, ou se contrariamos o consenso, passamos ao campo de abrangência dos aparelhos repressivos. Os que pensam diferentemente da maioria, os que destoam da grande massa, são excluídos, marginalizados e transformados em párias da sociedade. E é provavelmente por essa razão que fazemos as coisas, não porque acreditemos que devam ser feitas assim, mas porque se transformou em costume fazê-las dessa forma.

Observe-se que é o senso comum - esse acordo de cavalheiros que firmamos em relação ao que é certo e errado -, ele próprio, o gerador de tais opostos, no momento em que estabelece um padrão. Quando dizemos que uma coisa é boa ou má, utilizamos o senso comum como parâmetro - e ele passa a ser a linha mestra de nosso comportamento; o construtor de nossa personalidade. O senso comum governa a nossa rotina, acabando por nos conduzir como a marionetes. Nos transformamos em massa de manobra daqueles que controlam as ferramentas formadoras de opinião. Com nossa atenção dispersada por incontáveis besteiras reunidas num produto chamado "aldeia global", perdemos a força que nos alçava aos vôos mais altos.

Somos todos pássaros, e é isso que nos torna iguais. Todos temos asas, embora estejam se atrofiando em nossas gaiolas. Se olharmos para as grades, porém, veremos que não oferecem resistência aos que escolhem um caminho com coração. Qualquer um de nós pode ultrapassar seus limites, e deve fazê-lo se quiser compreender o significado da palavra liberdade. Voar faz parte de nossa natureza, e todos, sem exceção, sabemos fazê-lo. Basta vontade. Basta querer. Basta passar, de uma vez por todas, à prática do tão citado "Amai-vos uns aos outros". E, para isso, é necessário que mergulhemos fundo no sentimento do desapego. Quando nada tivermos, descobriremos a felicidade de não ter o que perder. Aí, não haverá o que nos prenda; e não creio que sintamos saudades do que deixarmos para trás.

Escrito por Carol às 09h49
[ ] [ envie esta mensagem ]

 
Enterro do "não consigo" (Desconhecido)
 
 
Esta história foi contada por Chick Moorman, e aconteceu numa escola primária do estado de Michigan, Estados Unidos. Ele era supervisor e incentivador dos treinamentos que ali eram realizados e um dia viveu uma experiência muito instrutiva, conforme ele mesmo narrou:
 
Tomei um lugar vazio no fundo da sala e assisti. Todos os alunos estavam trabalhando numa tarefa, preenchendo uma folha de caderno com idéias e pensamentos. Uma aluna de dez anos, mais próxima de mim, estava enchendo a folha de "não consigos". "Não consigo chutar a bola de futebol além da segunda base." "Não consigo fazer divisões longas com mais de três números." "Não consigo fazer com que a Debbie goste de mim." Caminhei pela sala e notei que todos estavam escrevendo o que não conseguiam fazer. "Não consigo fazer dez flexões." "Não consigo comer um biscoito só." A esta altura, a atividade despertara minha curiosidade, e decidi verificar com a professora o que estava acontecendo e percebi que ela também estava ocupada escrevendo uma lista de "não consigos".
 
Frustrado em meus esforços em determinar porque os alunos estavam trabalhando com negativas, em vez de escrever frases positivas, voltei para o meu lugar e continuei minhas observações. Os estudantes escreveram por mais dez minutos. A maioria encheu sua página. Alguns começaram outra. Depois de algum tempo os alunos foram instruídos a dobrar as folhas ao meio e colocá-las numa caixa de sapatos, vazia, que estava sobre a mesa da professora. Quando todos os alunos haviam colocado as folhas na caixa, Donna acrescentou as suas, tampou a caixa, colocou-a embaixo do braço e saiu pela porta do corredor. Os alunos a seguiram. E eu segui os alunos.
 
Logo à frente a professora entrou na sala do zelador e saiu com uma pá. Depois seguiu para o pátio da escola, conduzindo os alunos até o canto mais distante do playground. Ali começaram a cavar. Iam enterrar seus "não consigo"! Quando a escavação terminou, a caixa de "não consigos" foi depositada no fundo e rapidamente coberta com terra. Trinta e uma crianças de dez e onze anos permaneceram de pé, em torno da sepultura recém cavada.
 
Donna então proferiu louvores. "Amigos, estamos hoje aqui reunidos para honrar a memória do "não consigo". Enquanto esteve conosco aqui na Terra, ele tocou as vidas de todos nós, de alguns mais do que de outros. Seu nome, infelizmente, foi mencionado em cada instituição pública - escolas, prefeituras, assembléias legislativas e até mesmo na casa branca. Providenciamos um local para o seu descanso final e uma lápide que contém seu epitáfio. Ele vive na memória de seus irmãos e irmãs "eu consigo", "eu vou" e "eu vou imediatamente". Que "não consigo" possa descansar em paz e que todos os presentes possam retomar suas vidas e ir em frente na sua ausência. Amém."
 
Ao escutar as orações entendi que aqueles alunos jamais esqueceriam a lição. A atividade era simbólica: uma metáfora da vida. O "não consigo" estava enterrado para sempre. Logo após, a sábia professora encaminhou os alunos de volta à classe e promoveu uma festa. Como parte da celebração, Donna recortou uma grande lápide de papelão e escreveu as palavras "não consigo" no topo, "descanse em paz" no centro, e a data embaixo. A lápide de papel ficou pendurada na sala de aula de Donna durante o resto do ano. Nas raras ocasiões em que um aluno se esquecia e dizia "não consigo", Donna simplesmente apontava o cartaz descanse em paz. O aluno então se lembrava que "não consigo" estava morto e reformulava a frase. Eu não era aluno de Donna. Ela era minha aluna. Ainda assim, naquele dia aprendi uma lição duradoura com ela. Agora, anos depois, sempre que ouço a frase "não consigo", vejo imagens daquele funeral da quarta série. Como os alunos, eu também me lembro de que "não consigo" está morto.

Escrito por Carol às 09h17
[ ] [ envie esta mensagem ]

19/02/2007


 

Não sei não é resposta (Por Martha Medeiros)

 

 
Era complicado ser criança na minha época. Cada vez que eu julgava estar sendo vítima de uma injustiça e tentava contra-argumentar, ouvia de meus pais: “Não me responda!”. Como assim, não responder? Eles me davam bronca por coisas que nem eram assim tão graves — como fazem todos os pais impacientes, e todos são — e eu não podia me defender? Não podia. Pai e mãe, naqueles remotos tempos, tinham sempre razão. Criança não apitava.
 
Aí entrei na adolescência acreditando que aquele tal de “não me responda” poderia vir a calhar, já que eles começaram a fazer perguntas difíceis como “você vai conosco nas bodas de ouro da sua tia?” ou “de quem é esta carteira de cigarro escondida no meio das suas roupas?”. Na tentativa de ganhar tempo, eu balbuciava “eu... eu... ” na esperança de que eles me dissessem: “não me responda”, mas que nada: eles ficavam bem quietos, olhando fundo nos meus olhos, esperando o desenrolar da cena. Só me restava concluir a frase: “Eu...eu... não sei”.
 
Não sei não é resposta. Cresci ouvindo essa máxima e, pior, já me vali deste expediente para arrancar depoimentos mais elaborados das minhas filhas, mas reconheço que é golpe baixo. Excetuando-se as naturais enrolações da adolescência, “não sei” é a resposta mais honesta que alguém pode dar.
 
Eu faço que sei, mas sei quase nada. Não sei as coisas mais sérias que se espera que um adulto saiba, como, por exemplo, o que eu quero ser quando crescer. Já cresci?? Pois ainda tenho diversas interrogações sobre o amor, sobre o futuro, sobre a morte e sobre a vida. Não sei por que faço coisas que não tenho vontade. Não sei por que me deixo enganar por mim mesma tantas vezes. Não sei por que me sinto culpada quando nego alguns convites e pedidos. Não sei por que se sentir aprovada pelos outros é tão importante. Não sei por que a solidão é tão temida, já que somente a sós podemos ser 100% quem a gente é.
 
Não sei por que me dá mais satisfação ficar em casa lendo um livro do que ir a uma festa, não sei por que me atrapalho socialmente, por que me prefiro calada, por que todo mundo parece tão mais à vontade do que eu. E também não sei por que estou chorando, quando choro. Alguém sabe por que está chorando?
 
E se alguém me perguntasse por que a religião, que é uma coisa que deveria trazer paz e promover a fraternidade, transforma as pessoas em fanáticos intolerantes, eu responderia: não sei. Não entendo a razão de tanta gente brigar entre si pelo simples fato de pensar diferente e desejar viver sua própria vida a seu modo.
 
Sobre aquela carteira de cigarro escondida no meio da roupas, era minha, numa idade em que eu era tola o suficiente para acreditar que fumar era bacana. Mas como eu tinha apenas 13 anos, achei melhor enrolar.

Escrito por Carol às 21h38
[ ] [ envie esta mensagem ]

 Lembranças mal lembradas (Por Martha Medeiros)

A maioria dos nossos tormentos não vem de fora, está alojada na nossa mente, cravada na nossa memória. Nossa sanidade (ou insanidade) se deve basicamente à maneira como nossas lembranças são assimiladas. “As pessoas procuram tratamento psicanalítico porque o modo como estão lembrando não as libera para esquecer”. Frase do psicanalista Adam Phillips, publicada no livro “O flerte”.
 
Como é que não pensamos nisso antes? O que nos impede de ir em frente é uma lembrança mal lembrada que nos acorrenta no passado, estanca o tempo, não permite avanço. A gente implora a Deus para que nos ajude a esquecer um amor, uma experiência ruim, uma frase que nos feriu, quando na verdade não é esquecer que precisamos: é lembrar corretamente. Aí, sim: lembrando como se deve, a ânsia por esquecimento poderá até ser dispensada, não precisaremos esquecer de mais nada. E, não precisando, vai ver até esqueceremos.
 
Ah, se tudo fosse assim tão simples. De qualquer maneira, já é um alento entender as razões que nos deixam tão obcecados, tristes, inquietos. São as tais lembranças mal lembradas.
 
Você fez 5 anos, sonhava ganhar a primeira bicicleta, seu pai foi viajar e esqueceu. Uma amiga íntima, que conhecia todos os seus segredos, roubou seu namorado. Sua mãe é fria, distante, e percebe-se que ela prefere disparadamente sua irmã mais nova. E aquele amor? Quanta mágoa, quanta decepção, quanto tempo investido à toa, e você não esquece — passaram-se anos e você, droga, não esquece.
 
Essas situações viram lembranças, e essas lembranças vão se infiltrando e ganhando forma, força e tamanho, e daqui a pouco nem sabemos mais se elas seguem condizentes com o fato ocorrido ou se evoluíram para algo completamente alheio à realidade. Nossa percepção nunca é 100% confiável.
 
O menino de 5 anos superdimensionou uma ausência que foi emergencial, não proposital.
 
Você nem gostava tanto assim daquele namorado que sua amiga surrupiou (aliás, eles estão casados até hoje, não foi um capricho dela).
 
Sua mãe tratava as filhas de modo diferenciado porque cada filho é de um modo, cada um exige uma demanda de carinho e atenção diferente, o dia que você tiver filhos vai entender que isso não é desamor.
 
E aquele cara perturba seu sono até hoje porque você segue idealizando o sujeito, recusa-se a acreditar que o amor vem e passa. Tudo parecia tão perfeito, ele era o tal príncipe do cavalo branco sem tirar nem pôr. Ajuste o foco: o coitado foi apenas o ser humano que cruzou sua vida quando você estava num momento de carência extrema. Libere-o desta fatura.
 
São exemplos simplistas e inventados, não sou do ramo. Mas Adam Philips é, e me parece que ele tem razão. Nossas lembranças do passado precisam de eixo, correção de rota, dimensão exata, avaliação fria — pena que nada disso seja fácil. Costumamos lembrar com fúria, saudade, vergonha, lembramos com gosto pelo épico e pelo exagero. Sorte de quem lembra direito.

Escrito por Carol às 21h34
[ ] [ envie esta mensagem ]

Reflexões sobre a liberdade (Autor: Desconhecido)
 
Tentou pensar sobre como a sua vida poderia ser. E não era. Pensou que ao menos colocando no papel poderia sentir um pouco, o pouco que não tinha. Na realidade, possuía tudo. Mas deixou a mente viajar. Ganhara uma bolada na mega-sena. Mais de R$ 20 milhões. Agora sim, seria livre. Nunca mais volto ao cursinho, pensou. Dane-se a maldita faculdade. Agora sou livre . Pensou no que faria com a tal liberdade. Compro uma casa no melhor bairro da cidade. Mobílio a casa. Um carrão. Preciso de um carrão. Coloco o resto na poupança e vivo de renda. Era o plano perfeito. Procurou apartamento. Encontrou apartamento. Gigantesco, possuía até jardim de inverno. E não sabia cuidar sequer do vasinho de violetas que ganhara de um insistente ex-namorado. Mas continuou.
 
Com essa grana, não fico sozinha . Pensou no príncipe que encontraria. Bem-educado, rico, gentil e bonito. Diferente de todos os que já encontrara pela vida. Ops! Pulei uma parte, lembrou ela. Antes, preciso me arrumar. Faço uma lipo, coloco silicone e afino o nariz... Ah! E pinto o cabelo de loiro. Agora sim, tinha um plano. Mas como nada cai do céu, resolveu procurar o tal príncipe.
 
Deu partida no carrão. Acenou ao vigia do chique condomínio. Seguia feliz e bem-arrumada para qualquer lugar fino da cidade. Mas, de repente, uma luz vermelha. Era o semáforo. Pensou em acender um cigarro, mas cigarro hoje em dia é tão banal que está até ficando cult não fumar. Desistiu do cigarro. Ouviu batidas na sua janela. Do outro lado um homem mal-encarado segurava uma arma. Sem opção, abriu a janela. Calada madame, vai destravando as portas. Obedeceu. Rodou com os homens (sim, no fim era mais de um) por mais de duas horas, sacando dinheiro em caixas eletrônicos sob a mira de um revólver. Foi deixada longe de casa. Conseguiu voltar. Não conseguiu dormir. Amanhã mando blindar o carro, decidiu. E assim o fez.
 
Passou a raramente sair de casa. Não ostentava mais suas jóias ou roupas de grife pela cidade. O figurino não combinava com o carrão. Trocou de carro. Quero apenas um carro que me leve para onde eu quiser ir. Carro popular. Blindado. Jamais saía de casa depois das 8h da noite. Preciso achar distração.
 
Voltou pro cursinho. Vestindo jeans e camiseta. De volta ao apartamento com jardim de inverno, pensou na tal liberdade enquanto olhava através da janela. Percebeu as grades do condomínio, mas não quis pensar muito no assunto. Lembrou que tinha esquecido de ativar o alarme do carro e desceu para a garagem, de pijama mesmo. Deu boa noite ao simpático vigia e voltou para o apartamento. Sem pensar muito.
 
Pensou melhor e resolveu voltar a prestar atenção na aula de física. Esqueceu a história da mega-sena. Era melhor se concentrar para não levar pau em mais um vestibular. Lembrou de seu pai dizendo que a liberdade só é conquistada através do estudo. De repente ela entendeu sobre qual liberdade o pai tanto falava. E ela fez a maior descoberta de sua vida... Enquanto o professor explicava termodinâmica.

Escrito por Carol às 21h26
[ ] [ envie esta mensagem ]

 

Sou uma pessoa comum

Fui criada com princípios morais comuns. Quando criança, ladrões tinham a aparência de ladrões e nossa única preocupação em relação à segurança era a de que os "lanterninhas" dos cinemas nos expulsassem devido às batidas com os pés no chão quando uma determinada música era tocada no início dos filmes, nas matinês de domingo.
 
Mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades presumidas, dignas de respeito e consideração. Quanto mais próximos, e/ou mais velhos, mais afeto. Inimaginável responder deseducadamente a policiais, mestres, aos mais idosos, autoridades. Confiávamos nos adultos porque todos eram pais e mães de todas as crianças da rua, do bairro, da cidade. Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos, de filmes de terror. Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo que perdemos. Por tudo que meus filhos um dia temerão. Pelo medo no olhar de crianças, jovens, velhos e adultos. Matar os pais, os avós, violentar crianças, seqüestrar, roubar, enganar, passar a perna, tudo virou banalidades de notícias policiais, esquecidas após o primeiro intervalo comercial.
 
Agentes de trânsito multando infratores são exploradores, funcionários de indústrias de multas. Policiais em blitz são abuso de autoridade. Regalias em presídios são matéria votada em reuniões. Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos. Não levar vantagem é ser otário. Pagar dívidas em dia é bancar o bobo, anistia para os caloteiros de plantão. Ladrões de terno e gravata, assassinos com cara de anjo, pedófilos de cabelos brancos.
 
O que aconteceu conosco?
 
Professores surrados em salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas portas e janelas. Crianças morrendo de fome, gente com fome de morte. Que valores são esses?
 
Carros que valem mais que abraço, filhos querendo-os como brindes por passar de ano. Celulares nas mochilas dos que recém largaram as fraldas. TV, DVD, telefone, vídeo-game, o que vai querer em troca desse abraço, meu filho?
 
Mais vale um Armani do que um diploma. Mais vale um telão do que um papo. Mais vale um baseado do que um sorvete. Mais vale dois vinténs do que um gosto. Que lares são esses?
 
Bom dia, boa noite, até mais. Jovens ausentes, pais ausentes, droga presente e o presente uma droga. O que é aquilo? Uma árvore, uma galinha, uma estrela. Quando foi que tudo sumiu ou virou ridículo? Quando foi que esqueci o nome do meu vizinho? Quando foi que olhei nos olhos de quem me pede roupa, comida, calçado, sem sentir medo? Quando foi que fechei a janela do meu carro? Quando foi que me fechei?
 
Quero de volta a minha dignidade, a minha paz. Quero de volta a lei e a ordem, a liberdade com segurança. Quero tirar as grades da minha janela para tocar as flores. Quero sentar na calçada e ter a porta aberta nas noites de verão. Quero a honestidade como motivo de orgulho. Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olho no olho. Quero a vergonha, a solidariedade e a certeza do futuro.
 
Quero a esperança, a alegria.
 
Teto para todos, comida na mesa, saúde a mil. Não quero listas de animais em extinção. Não quero clone de gente, quero cópia das letras de música, cultura e ciência. Eu quero voltar a ser feliz! Quero dizer basta a esta inversão de valores e ideais. Quero mandar calar a boca de quem diz "a nível de", "enquanto pessoa", "visa resgatar".
 
Quero xingar quem joga lixo na rua, quem fura a fila, quem rouba, quem ultrapassa a faixa, quem não usa cinto, quem não dignifica meu/seu voto. Quero rir de quem acha que precisa de silicone, lipoaspiração, dieta, cirurgia plástica, carro zero, laptop, bolsa XYZ, calça ZYX para se sentir inserido no contexto ou ser "normal". Abaixo o "TER", viva o "SER"! E viva o retorno da verdadeira vida, simples como uma gota de chuva, limpa como um céu de abril, leve como a brisa da manhã! E definitivamente comum, como eu.
 
ADORO O MEU MUNDO SIMPLES e COMUM. Vamos voltar a ser "gente"? Ter o amor, a solidariedade, a fraternidade como base. A indignação diante da falta de ética, de moral, de respeito... Discordar do absurdo. Construir sempre um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas. Utopia? Não... se você e eu fizermos nossa parte e contaminarmos mais pessoas, e essas pessoas contaminarem mais pessoas... hein?! Quem sabe?... "Por um mundo mais humano!!!"
 
Autor: Desconhecido

Escrito por Carol às 21h18
[ ] [ envie esta mensagem ]

Amores mal resolvidos (Por Daniel Ramalho)

 

 
Todo mundo um dia sonhou um relacionamento. Nem todo mundo continuou. Quase ninguém conseguiu. Quem estava errado? Por que as pessoas que nós achamos serem nossas almas gêmeas mais parecem aquela prima distante de encontros esporádicos patrocinados pela frieza? Tudo com a pessoa que a gente gosta platonicamente parece meio "duro". Empurrado. Forçado, pra dizer a verdade. Pelo menos comigo é assim.
 
Primeiro começa na escola. E pode também acontecer com aquela amiga da mesma rua. Mas na escola é mais normal. É sempre a menina mais bonita, a que anda em grupinhos e vive rindo com outras meninas sabe-se lá de quê.
 
Daí pra frente é uma descida sem freio. A gente aprende na escola e não esquece mais. E é sempre do mesmo jeito. Acorda 1 hora mais cedo pra chegar cedo na escola e ver se se senta perto dela. Penteia o cabelo ainda molhado, pra não soltar fio nenhum. Escova os dentes três vezes e tem dia que nem toma café, pra não ir com hálito de nescau. Não faz esforço, não corre, pra não chegar suado. Esquece as canetas pra pedir emprestado a ela. E sem falar nos trabalhos de grupo e dupla. É claro que você nunca fez um trabalho com ela e sabe que, se tivesse feito, não iria desgrudar os olhos do papel. Os anos passam; talvez você mude de escola, talvez ela. Talvez estudem
juntos, talvez até façam vestibular para o mesmo curso e, talvez até remotamente, peguem as mesmas cadeiras.
 
Ou talvez ela arrume um namorado, e vocês três estudem juntos as mesmas cadeiras.
 
Na improvável hipótese do relacionamento universitário ocorrer, aí você pode se vangloriar de ter participado de uma linda história de amor escrita por Nicholas Sparks, com final feliz: amigos de infância se casam e contam esta história pra os netos.
 
Mas o mais provável é que vocês se separem no meio do curso do colégio. Afinal, a turma dela é outra. Os ares são outros. Aspirações diferentes.O mais engraçado são as situações (que depois de anos se tornam hilárias) que você passa. Os churrascos mal-sucedidos ("ela ficou com outro"); Os cinemas solitários ("ela sentou na cadeira do outro lado"); as baladas esperançosas ("ela se embriaga e fica comigo").
 
Mas serviu de alguma coisa. Você se tornou uma pessoa melhor. Você se cuidava mais, se preocupava mais. E, pasme! os outros importavam mais pra você. Se ela estivesse do lado, você ajudava uma velhinha a atravessar a rua, só dava de 10 reais pra cima ao mendigo, etc. Era uma vida de santo. Pra depois você descobrir que ela queria um cachaceiro mau carater que não fazia p.. nenhuma da vida.
 
Com essa pessoa, a gente imagina que todas as ações correspodem a alguma reação química amorosa dentro dela, expelindo o gás imaginário do amor, que a gente aspira. E aí é que depois os efeitos colaterais atingem mais. Aquela olhadela foi uma coincidência; O sonho que ela teve não passou de uma coincidência (e se ela te contou foi só pra contar); as vezes que ela foi na sua casa, à tarde, foi só porque não tinha mais pra onde ir.
 
Mas é sempre com essa pessoa que você imagina os cinemas, as praias à noite, as sessões de vídeo, os passeios. E, curiosamente, isso nunca acontece. Parece que você pensa tanto nela, que ela se assusta, e corre pro cachaceiro.
 
Só que no fim o que importa é a realidade. O agora. Ficadas esporádicas; o fantasma do amor platõnico assombrando. Porque todo mundo gosta, mas nem sempre é correspondido.

Escrito por Carol às 21h09
[ ] [ envie esta mensagem ]

Maior e melhor que amor (Por Martha Medeiros)
 
 
Às vezes me pergunto por que o amor, que dizem ser a coisa mais forte e importante que há, faz tanta gente sofrer. Entendo que algumas pessoas amam com impaciência, amam com possessão, amam com insegurança, amam com violência, amam com preguiça, amam das formas mais desajeitadas, e nada disso é coisa fácil de lidar. Mas o amor é assim mesmo, vem acompanhado de várias outras sensações, todas elas fora do nosso controle. O amor é lindo, mas também pode ser tenso, fóbico, difícil. Billie Holliday cantava: “Não me ameace com amor, baby/vamos só caminhando na chuva”.
 
Chego à conclusão, então, de que se o amor é nobre e, ao mesmo tempo, ameaçador, deve existir algo muito melhor que amor. Muito maior que ele. Um sentimento que vários de nós talvez já tenhamos experimentado, só que, como esse sentimento nunca foi batizado, não o reconhecemos com facilidade. É difícil classificar as coisas sem nome.
 
Maior que o amor, melhor que o amor: um sentimento que ultrapasse todos os padrões convencionais de relacionamento. Que prescinda de fogos de artifício por ter chegado e também dispense velório por ter partido, que se instale sem radares em volta, que não nos deixe apreensivos para entendê-lo e nem para traduzir os seus sinais. Um sentimento que não se atenha à longevidade nem a uma intensidade medida pelo número de declarações verbais. Que seja algo que supere conceitos como matrimônio, família, adequação social. Que seja individualizado, amplo e sem contra-indicações.
 
O amor — como o conhecemos — é apenas um aprendizado, um estágio antes de a gente alcançar isso que é maior e melhor: um sentimento que independe da presença constante do outro, que confere leveza à vida, que nos deixa absolutamente plenos e livres. Plenos o amor nos torna; mas livres? Não. O amor termina e isso nos atormenta. Quando é maior e melhor que amor, não termina, mesmo quando a relação se desfaz.
 
É um sentimento que, quanto mais forte, mais calmo. Quanto maior, mais discreto. A gente não o pensa, não o discute, não o compara, não o idealiza. Ele simplesmente encontra asilo dentro de nós e cresce sem a aflição daquelas regrinhas impostas ao amor: “tem que cultivar, tem que reinventar, tem que...”. Tem que nada. Tem que apenas curtir. É até bom que ele não tenha nome, símbolo, cor e teorias. Melhor assim, sem estampar capas de revista, sem que ninguém o use como argumento para cometer insanidades, sem virar mote para propaganda, sem fazer sofrer nas novelas e nem na vida.
 
Simplesmente enorme assim, sem ameaçar. Transcendente como um convite para caminhar na chuva.

Escrito por Carol às 21h04
[ ] [ envie esta mensagem ]

 
Conta-se que numa pequena aldeia um grupo de pessoas se divertia com um idiota, um pobre coitado de pouca inteligência, que vivia de pequenos biscates e esmolas. Diariamente eles chamavam o bobo ao bar onde se reuniam e ofereciam a ele a escolha entre duas moedas - uma grande de 400 réis e outra menor, de dois mil réis.
 
Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos.
 
Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos. "Eu sei" - respondeu o não tão tolo assim - " ela vale cinco vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar minhas moedas."
 
Várias conclusões:
 
A primeira: quem parece idiota, nem sempre é.
 
A segunda (dita em forma de pergunta): quais eram os verdadeiros tolos da história?
 
A terceira: se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda.
 
Mas a conclusão mais interessante, a meu ver, é a percepção de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito.
 
Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas o que realmente somos...
 
Autor: Desconhecido

Escrito por Carol às 20h59
[ ] [ envie esta mensagem ]

Perfil



Meu perfil
BRASIL, Mulher, Portuguese, English, Música, Cinema e vídeo